\\ Texto Maria Amélia Pires
\\ Fotografia Direitos Reservados

Binelde Hyrcan

Artista multidisciplinar

Nasceu em Angola há 34 anos e foi naquele país que viveu a sua infância. O gosto pela transformação e o inconformismo, resultante da imaginação fervilhante e da vontade de crescer enquanto artista plástico, levou Binelde Hyrcan ao Mónaco, onde se formou em Belas Artes, no Le Pavillon Bosio - Escola Superior de Artes Plásticas da Cidade do Mónaco. Hyrcan começou por ganhar visibilidade com um trabalho de cenografia na exposição Jacques Tati na Cinemateca Francesa em agosto de 2009. Participou também noutros eventos artísticos, como a 2.ª Trienal de Luanda, promovida pela Fundação Sindika Dokolo.

Nas várias disciplinas artísticas em que trabalha – pintura, escultura, design, cinema, performance e instalação – aborda muitas vezes o absurdo, denunciando costumes e atitudes políticas e sociais e criticando as estruturas de poder e a vaidade humana. Exemplo disso foram a performance King, que consistiu numa expressão muito física de conflitos que colocam questões de pertença e identidade, e o trabalho com galinhas taxidérmicas, vestidas como reis, rainhas, soldados e juízes, ridicularizando o poder exacerbado e os delírios de grandeza. Num dos seus filmes, Cambeck, o artista traça longas narrativas sobre o caos. Através de uma brincadeira ingénua de quatro crianças, ouvimos vozes, sonhos e visões que apontam para a desigualdade, a pobreza e a migração.

O trabalho de Hyrcan já foi exposto no Hamburger Bahnhof, em Berlim, no Centro Pompidou, em Paris, no Pavilhão Angolano na 56.ª Bienal de Veneza, em Veneza, e no Museu Judaico, NY, entre outros. A par destes projetos, tem dado várias palestras sobre o seu trabalho, nomeadamente em França.

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