Monterosa

Azeite premium

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia © Monterosa

Em Portugal existem cerca de 12 produtores de azeite premium.

Nos últimos tempos, tem-se vindo a verificar que, em termos de azeite, os produtores portugueses têm ganho muitas distinções internacionais. A aposta na alta qualidade do produto tem trazido para Portugal vários prémios. Despertou-se uma curiosidade, no mercado nacional, do «porque é que ganham lá fora?», e a resposta é simples. Neste momento o consumidor final já encara o azeite como um produto de extrema importância alimentar, e para matar a sua curiosidade, no que toca ao processo de fabrico de alguns dos melhores azeites, viemos conhecer, de perto, um dos melhores azeites, que mais prémios angariou no ano de 2016 – Monterosa. Nos últimos quatro anos a equipa do Monterosa concorreu a várias competições e delas trouxe prémios para casa. Só no ano passado ganharam no continente americano, em duas competições, em Nova York e Los Angeles. Também a China, o Japão, a Alemanha e a Espanha viram o azeite virgem extra do Monterosa conquistar prémios. Foi um ano em grande.

Mas o que tem este azeite que outros não têm? Trata-se de um produto muito especial, em que todos os passos têm de ser dados de forma a se conseguir obter alta qualidade. A atenção ao detalhe é crucial. A quinta tem o olival e um lagar próprios, certificados por um sistema de produção integrada, ou seja, todas as práticas e produtos são amigos do ambiente. Reciclam todos os resíduos que resultam desta atividade. O   bagaço da azeitona, mais tarde, é transformado em adubo natural, que será utilizado, de novo, no olival. Tudo se baseia num processo natural, onde não há lugar para os químicos. Um dos segredos da qualidade deste azeite está no processo de apanha da azeitona, pois entre o momento da apanha e a moagem da mesma há um tempo médio de três horas, nada mais. Isto resulta num azeite verdadeiramente fresco e com uma qualidade elevada. A rapidez faz toda a diferença no processo porque «vai determinar um grau de acidez menor, e uma frescura muito mais elevada do que é habitual», assegura António Duarte, dinamizador e promotor da área comercial e turística do Monterosa.

Produção de azeite


\\ Fotografia © Monterosa

Prova de azeite


\\ Fotografia © Monterosa

O turista pode usufruir de uma visita guiada, gratuita, à quinta e provar o azeite Monterosa no final.

O Monterosa detém cinco variedades de azeite, todas cultivadas nos 20 hectares de olival, da Quinta Horta do Félix. Entre elas apenas varia o tempo de apanha. A apanha acontece, por norma, no mês de Setembro e tem uma durabilidade de dois meses. Altura em que o azeite passa a estar pronto para comercializar. O azeite tem de descansar um pouco, antes de ser consumido, porque para uma produção de alta qualidade a azeitona tem de ser apanhada, à mão, ainda bastante verde, «porque isso vai determinar uma concentração mais elevada de vitaminas e antioxidantes no azeite, que é o que se pretende na qualidade do azeite, pois assim traz mais benefícios para a saúde», explica António.

De todas as variedades que o Monterosa possui a mais popular, a que obteve melhores resultados a nível internacional, nos últimos quatro anos, é a Maçanilha Algarvia (é uma variedade do «sotavento Algarvio», que dá origem a um azeite de intensidade média). Dez mil litros é a quantidade total de produção de azeite. Mas esperam dobrar a quantidade nos próximos tempos. Uma parcela desta produção fica em território nacional, no sector de hotelaria e restauração, mas cerca de 80% vão para exportação.

Quinta do Monterosa


\\ Fotografia © PMC

Quinta Horta do Félix, onde se encontra o olival, pertence aos viveiros Monterosa, que desde 1974 trabalha o sector de plantas ornamentais, e mais recentemente as aromáticas.

E tudo começou há uns anos. No terreno onde havia um laranjal, devido à seca, plantaram-se cinco mil e quatrocentas oliveiras, no ano de 2000. Primeiro arrancaram-se as laranjeiras, depois, sugeriu-se para aquele local quatro variedades de árvores mediterrâneas (que não dependessem de muita água para sobreviver). Optou-se pela oliveira (uma planta ornamental). E cinco anos depois, em 2005, produziu-se uma pequena quantidade de azeite. Mas só em 2009 se iniciou a experiência, no verdadeiro sentido da palavra. Um olival, se for trabalhado com inteligência, não tem o fim à vista. Passará de geração em geração. Tal como fez Detlev Von Rosen, o produtor sueco, que esteve muito presente na atividade até aos últimos dias de vida. Atualmente, a propriedade é gerida por dois sócios portugueses, e um sócio-gerente sueco, e a parte que era do Sr. Detlev passou para os filhos.

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