Malanje

Encantos da Natureza

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia © PMC

Como tantas e tantas vezes, planeámos uma viagem, curta, mas encantadora, até aos confins de Malanje, uma das províncias de Angola. Estávamos em Luanda. Acordámos numa manhã um pouco de melancólica. Recuperaram-se as energias matinais com um pequeno almoço reforçado. Passava pouco mais das 07h30 quando partimos nesta aventura, de jipe, rumo a Malanje. Mais de 370 quilómetros de estrada, e pequenas crateras, nos esperavam pela frente. Todo o percurso nos remeteu para o registo das magníficas paisagens e locais que observámos por onde passámos. Andámos e andámos, por terras quase desertas, mas as maravilhosas vistas dos hectares de terrenos verdes, espalhados pelas planícies, prenderam-se, inúmeras vezes, aos nossos olhos. 

Chegamos a Malanje, já passavam das 14h00. Visitámos o centro da cidade, onde à data havia festejos locais. A cidade celebrava os seus 85 anos. Conversámos com Osvaldo Santos, o administrador do município, que nos falou das atividades «desportivas, culturais, recreativas, plantação de árvores, literatura, artesanatos, circuito fechado de motociclos…», da região. Nesta altura de festa os mais velhos contam aos mais jovens a origem da cidade e do seu nome – Malanje. A origem do nome da metrópole teve início na era colonial, quando os portugueses tiveram contacto com a comunidade angolana local. Antes do anoitecer vagueámos pelas ruas de Malanje a admirar o belíssimo pôr-do-sol da zona. Um céu único, apaixonante e cheio de cor. Beleza impar!

 

Quedas de Kalandula, uma extensão de 410m por 105 de altura

 

No dia seguinte, levantámo-nos bem cedo e fomos conhecer Kalandula, um município com uma área de 70.040 km2, pertencentes a Malange, que muito tem para oferecer turisticamente. Percorremos, com o nosso guia local, as Quedas de Kalandula (também conhecidas por Quedas do Duque de Bragança), localizadas no rio Lucala, considerada uma das sete maravilhas de Angola. Lindas! Exuberantes! De cortar a respiração! Avistámo-las mesmo de frente, a partir de um lugar abandonado (uma antiga pousada da época colonial). Não há palavras que consigam descrever o poder daquela paisagem.

Um dia fez-se curto para visitar tudo em Kalandula. Conseguimos, porém, ainda conhecer uma outra cascata – Musseleje. Andámos em estrada de terra batida durante uns 40 minutos para conseguir chegar àquela cascata. Deslumbrante. Por detrás de uma enorme árvore, ali se encontrava ela.  É de uma beleza fascinante. À medida que a água cai, escorre como se descesse degraus. Dois locais que se recomendam a quem aprecia a pureza da natureza, o ar livre e as paisagens que cortam a respiração. Mas tantos outros há para ver. Os acessos para se chegar a alguns locais turísticos ainda estão um pouco condicionados, mas Pedro Dêmbue, o administrador local, tem fé que a região venha a receber, a curto prazo, investidores que façam de Kalandula um lugar ainda mais atrativo. «Queremos tirar o maior proveito desta riqueza natural. Projetos há muitos, a grande dificuldade é que tudo não tem passado de propostas. Seja privado, ou não, o fundamental é que se faça alguma coisa. Queremos fazer com que o turista fique mais tempo», desabafa.

Entretanto o dia cai e nós regressámos a Luanda. Deixámos para trás a lembrança de dois dias bem passados por terras angolanas. 

Vista do cimo da montanha sobre o rio Cole

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