Herdade da Malhadinha

Um recanto familiar

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia © Herdade da Malhadinha

Começaram por ser 200 mas agora são os 450 hectares que abraçam toda a propriedade da Herdade da Malhadinha, no Baixo Alentejo, em Portugal. E o desejo desta família é continuar a crescer. Há quase 20 anos (em 1998), os irmãos Soares, João e Paulo, e os seus pais, juntamente com Rita Soares, esposa de João, decidiram comprar a propriedade. À época, os campos e a casa principal encontravam-se completamente abandonados. Não havia nada! Nem vinha, nem água, nem luz. Terras incultas, que logo se transformaram. Juntos deram vida aos solos. Plantaram 20 hectares de vinha. E agora, quando chegamos, a beleza da herdade prende-nos ao local. Começa logo pelo magnífico silêncio das terras. Só as cegonhas se mostram. Elas e as águas da Ribeira Velha, que atravessam o rio Guadiana, e da Ribeira do Tejo, que correm de leve. Com a água do riacho contruíram três pequenas barragens para acumular água e conseguirem, assim, regar a vinha. Uns dos primeiros passos foi também a recuperação da casa principal, onde atualmente se recolhe a família, sempre que visitam a herdade (o que é frequente).

 

Tudo começa com a história dos pais de João e Paulo (responsáveis pela área financeira e comercial da Garrafeira Soares e da herdade) que viviam no Algarve e lá começaram a sua atividade com um minimercado, que não tardou a ser transformado numa garrafeira. Mais tarde, já com a ajuda dos dois filhos e de Rita (a responsável pelo marketing e recursos humanos) – que na nossa visita ao Baixo Alentejo nos passeou pelas terras da herdade –, o negócio expandiu. Alargou de tal modo que abriram a Garrafeira Soares – distribuidora de vinhos. E depois, abriram mais lojas, e mais, e hoje é um ‘império’ com 18 casas. Quase 50% é mercado a retalho, os restantes 50% são distribuídos entre o ramo hoteleiro e a restauração do Algarve.

Uma família muito ligada aos vinhos, que durante muito tempo não possuía uma vinha própria. Até que chegou o momento de realizarem um sonho de vida – comprar uma herdade. Assim nasceu a Malhadinha. Não só pela sua beleza intacta, mas também pela proximidade ao Algarve, localidade onde todos moravam e trabalhavam, por isso, o baixo Alentejo era a escolha ideal da localização da quinta. Primeiro criaram condições para plantar a vinha, depois, contactaram o Luís Duarte (enólogo) como consultor e um viticultor. Após vários estudos, escolheram o padrão de vinho que queriam produzir. «Nós sabíamos que queríamos o melhor vinho do mundo», diz, sorrindo, Rita. Foi com o arregaçar das mangas desta família que se fez da Herdade da Malhadinha um lugar a visitar e onde se dão a provar os magníficos vinhos. Para além da produção de vinho também se dedicam à criação de animais de raça autóctone (com denominação de origem protegida - DOP).

A herdade produz cerca de 35.000 garrafas e 30% dessa produção é exportada para 25 mercados.

É uma quinta bem ao estilo familiar. A Francisca, filha mais velha de Rita, nasceu em 1998, no ano em que compraram a propriedade. Francisca plantou, simbolicamente, a primeira cepa da vinha. Quando foi necessário pensar nos rótulos para a marca, e nenhuma das opções apresentadas lhes agradava, João teve a ideia: «e se a Francisca fizesse um desenho?». Compraram-se lápis. E Francisca desenhou. Desenhou um cachinho de uvas. Foi o primeiro rótulo da herdade. Até hoje, os cinco filhos de Rita e João, e também os dois filhos de Paulo e Margaret, desenham os rótulos para ilustrar as garrafas dos vinhos da Malhadinha. À medida que os vinhos da Malhadinha vão evoluindo, também os desenhos dos filhos vão ganhando outra dimensão. A família criou um hábito: passar todos os fins-de-semana, em família, na herdade. E a propriedade tem muito para mostrar. O contacto com a natureza, a qualidade de vida, o prazer de andar a pé pelos campos, os passeios de bicicleta ou de moto 4, os passeios a cavalo, os piqueniques, a adega… para essa liberdade só mesmo num lugar como este, onde o limite é a imaginação. 

A família Malhadinha quer que quem venha para ficar no Country House & Spa, que desde 2008 tem vindo a satisfazer os hóspedes, fique no mínimo duas ou três noites, num dos dez quartos à escolha. Não querem hóspedes para um fim de semana, pois desejam que eles usufruam de toda a beleza da herdade e de todas, ou quase todas, as atividades temáticas que podem experienciar. Experiências ligadas ao desporto, à aventura, ao bem-estar, à pintura (com artistas plásticos no meio da natureza a pintar), à literatura, tertúlias, um sem fim de ideias. Aqui, o tempo fica preso no horizonte.  

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