Daniel Rodrigues

O que dizem as tuas fotografias?

\\ Texto Filomena Abreu
\\ Fotografia © Daniel Rodrigues

«Felizmente hoje em dia sou pago para fazer o que mais gosto»

Vê o Mundo, e todos os mundos que cabem dentro de um só, com um olhar, que é o seu. Lê a pureza dos instantes que colhe e tenta partilhá-los com a maior veracidade possível. Esta é a profissão de Daniel Rodrigues: ser fotógrafo. Em 2013 venceu o primeiro prémio do World Press Photo, na categoria Daily Life. Foi isso que o catapultou para a ‘fama’. Sorte? Qual sorte? Quando o prémio chegou estava desempregado e sem equipamento fotográfico. Tinha vendido tudo para conseguir fazer face às despesas da vida. Essa história, que é a sua, na altura deu pano para mangas. Sorte? Qual sorte? Se tudo o que veio depois, e antes disso, foi fruto de dedicação, amor e trabalho?!

Mas contemos a história do início. Daniel passou um mês na Guiné-Bissau, em 2012, a fazer voluntariado ao abrigo de uma missão humanitária, na aldeia de Dulombi. Já nesse ano, sonhava ajudar os outros, ao mesmo tempo que se dedicava a uma paixão, a fotografia. Foi assim que, por iniciativa própria, contactou os responsáveis da missão em África, no sentido de integrar a equipa. A foto que lhe garantiu o prémio prenderá, para sempre, a preto e branco, a alegria de algumas crianças a jogar futebol, num campo em terra batida. Essa imagem mudou-lhe a vida. «Penso que se não tivesse ganhado o World Press Photo já não seria fotógrafo». Foi o prémio que o fez «voltar a fotografar e ainda estar na área», recorda. «Felizmente hoje em dia sou pago para fazer o que mais gosto. E muito graças ao WPP. Para além de, na altura, ter recebido material para voltar a fotografar, abriram-se muitas portas. A pressão (que ainda existe) de mostrar que merecia ganhar aquele prémio fez com que progredisse muito e obrigou-me, por assim dizer, a fotografar melhor». É como se dizia acima, é uma questão de trabalho, o que deixa a Daniel a sensação de ter progredido. Há bem pouco tempo, em 2015, foi considerado o terceiro melhor fotojornalista do mundo pelo POYi (Pictures of the Year Internationa). Sorte?

Atualmente, colabora com o conceituado New York Times. «Para além de ser um honra trabalhar com eles, faz com que viaje muito, algo que adoro». Mas os projetos não ficam por aí. Recentemente foi convidado pelo mesmo jornal para fazer parte da equipa do «360 graus VR», embora não faça tanta fotografia, mas mais vídeo. «Cada vez mais o fotojornalista tem que ter capacidades de também filmar», diz.

Quando não está a viajar, ou a trabalhar, revela que passa muito tempo em casa a pesquisar ou a preparar novos projetos. «Os meus documentários são o que me dá mais gozo!» No fim, a pergunta de praxe: Valerá uma imagem mais do que mil palavras? Para o jovem fotógrafo sim. «O poder de conseguires ver um acontecimento através de uma fotografia é maior do que se tiveres a ler um texto com mil palavras e o tentares imaginar. Ao ver a fotografia vês a realidade, vês o acontecimento. E esta frase faz ainda mais sentido na área do fotojornalismo», garante.

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