Hugo Madeira

«O profissional de medicina dentária deve estar constantemente a estudar»

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia Nuno Almendra

«A grande maioria dos pacientes fazem tratamentos dentários sem conhecer as escolhas do médico»

Não sabe ao certo como se ‘apaixonou’ pela medicina dentária. Mas certo é que sempre que lhe perguntavam em criança «o que queres ser quando fores grande?», Hugo Madeira respondia: «dentista». E é-o, de facto. O médico e cirurgião oral é fundador da Clínica de Implantologia Avançada, situada no centro de Lisboa, na Avenida Casal Ribeiro. É um homem de hábitos e objetivos. Não sai de casa sem se despedir dos seus sem um sorriso. Considera-se um aventureiro, porque, segundo ele, a própria vida é uma aventura. Sempre que pode, almoça com os colegas para trocar ideias e partilhar conhecimento. Em entrevista à Villas&Golfe, Hugo comenta a evolução da Implantologia, uma das suas áreas de actuação, a curto e a longo prazo. Acredita que a Inteligência Artificial, mais cedo ou mais tarde, «vai entrar com força» e olha para o seu percurso como uma aprendizagem. Ao filho Caetano quer deixar um legado e um projeto editorial, que será publicado em breve. 

«Nas camadas mais jovens os problemas estão a evoluir da reabilitação para a estética»

O que mais gosta na medicina dentária?

Em primeiro lugar, à medida que vou evoluindo, enquanto profissional, gosto de saber que cada vez mais há menos impossíveis no meu trabalho. Em segundo, o poder gerir e mudar a vida de uma pessoa, através de um sorriso trabalhado.

De que forma o Hugo se vai atualizando e progredindo na carreira?

Crio hábitos e objetivos. No início do ano defino o calendário dos cursos e conferências em que quero estar presente. Diariamente, sempre que posso, almoço ou janto com colegas para partilhar conhecimento, e tenho também o hábito de ao fim de semana usar no mínimo uma hora para ler as últimas publicações médicas com impacto que saíram.

Profissionalmente, qual o momento que mais o marcou?

Quando comecei a frequentar conferências internacionais e a receber reconhecimento de colegas de todo o mundo a dizer que gostavam do meu trabalho foi estranho e, ao mesmo tempo, curioso. Quando chegou ao ponto de vários pedirem para tirar fotos comigo, senti que tinha que tomar uma atitude ainda mais responsável, perante a maneira como outros colegas seguiam a minha carreira.

O que origina o sucesso de uma clínica dentária, como a do Hugo Madeira?

Ter o desejo de ser dos melhores, criar método e ser exigente em cumprir esse método e protocolo. Escolher as pessoas certas, porque, no final, tudo se trata de pessoas, sendo um negócio para pessoas.

Que obstáculos enfrentam os médicos dentistas no exercício da sua profissão?

São vários. O profissional de medicina dentária, como em outra qualquer medicina, deve estar constantemente a estudar. Todos os dias há artigos científicos para ler e casos para discutir. A ausência de transparência entre médico-paciente também é outro desafio importante. A grande maioria dos pacientes fazem tratamentos dentários sem conhecer as escolhas do médico, no que toca a equipamentos ou materiais.

Os portugueses já se preocupam mais com os cuidados de saúde oral?

Hoje em dia, na nossa sociedade, ninguém se pode queixar da falta de informação sobre os cuidados de saúde oral. Os casos que surgem na classe mais idosa, sim, são casos por vezes complexos e exigem reabilitações completas de sorrisos. Nas camadas mais jovens os problemas estão a evoluir da reabilitação para a estética.

Quando falamos em saúde oral, falamos de um cuidado fundamental para o bem estar humano, se não um dos principais. No entanto, muitos ainda evitam ir ao dentista por uma questão de custos. Que soluções existem?

Acredito que ir ao dentista não é caro. Ter uma boa higiene oral, que no fundo se resume a fazer a higiene manual em casa e ir no mínimo a duas consultas de higiene dentária por ano, pode custar entre 60 a 80 euros. Muitas vezes o problema é as pessoas escolherem pagar um seguro dentário de 300 euros/ano e nem sequer se sentarem na cadeira do dentista uma única vez. O medo aqui tem vindo a ser estudado com inibidor. Nos dias de hoje é raro doer o que quer que seja no dentista, mas as pessoas ainda não acreditam. Daí o meu trabalho passar também por demonstrar o dia a dia das consultas e a felicidade dos meus pacientes.

«Temos médicos dentistas que são referência pelo mundo fora»

Na atividade dentária existe união entre os colegas da área?

Posso afirmar que sim. Há união, ainda muito selectiva, mas sim. No meu ponto de vista ainda temos muito para melhorar, enquanto classe profissional, nesse sentido. O Brasil é um excelente exemplo a seguir. Sendo um dos países com mais dentistas e mais competitividade, eles percebem que unidos só têm vantagens. Sendo a principal a partilha de conhecimento, para evolução na carreira e prestação de melhores cuidados.

Em Portugal, temos bons profissionais de saúde oral?

Temos excelentes profissionais em todas as áreas. Não há um que não fique de fora. Felizmente temos médicos dentistas que são referência pelo mundo fora, a dar palestras e aulas. Alguns dos melhores estão na minha equipa.

A implantologia é um das suas áreas de actuação. Como vê a evolução da mesma a curto e longo prazo?

A implantologia evoluiu tanto nos últimos anos que parece que já temos tudo disponível. O futuro vai passar por melhorar o que já existe, que é a relação entre os bytes e os atmos. Já fazemos leituras totalmente digitais da boca da pessoa. Conseguimos fazer um Scan e fotografia através do Digital Smile Design, e ter uma fantástica perspetiva de como vai ficar o caso. Agora, aqui, creio que a Inteligência Artificial, mais cedo ou mais tarde, vai entrar com força. Através do Scan sai logo o estudo com ordens para uma impressora fazer os dentes enquanto o médico faz os implantes, reduzindo assim o tempo da colocação de um implante, mais coroa, de dois a três dias para uma ou duas horas.

Como avalia o seu percurso até à data?
Tem sido muito alegre. Com muitas aprendizagens e muitos momentos menos bons, mas até hoje acabo todos os anos com saldo positivo no que toca à progressão económica da minha clínica e do meu curriculum e portfólio.

O Hugo é pai e, sendo dentista, é certo que irá ensinar o seu filho Caetano, desde pequenino, a cuidar dos dentes.
Como é óbvio. E na verdade vou ensinar e deixar um legado nesse sentido para que todos os pais possam fazer o mesmo com os seus filhos. É um projeto editorial que vai ser publicado em breve. Dedicado ao meu filho mas disponível para quem quiser.

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