Democracia Versus Radicalismos

António Rebelo de Sousa

Economista

Há um ano era dos que pensavam que Portugal deveria juntar esforços com a Espanha, a Itália, a França e, porventura, a própria Grécia para influenciar a Alemanha no sentido de se realizarem as reformas indispensáveis na UE. E por reformas indispensáveis entendia a intensificação da vertente federalista, nomeadamente, a mutualização da dívida europeia, o reforço do orçamento comunitário e a admissibilidade de aquisição de dívida pública no mercado primário por parte do BCE, «a la Roubini».

Todavia, sou dos que defendem, presentemente, que o projeto europeu não será viável sem uma adequada articulação com o eixo Merkel-Schultze. Dito de outro modo, sem a Alemanha de Merkel e de Schultze não será possível fazer face às novas tendências proteccionistas e populistas que têm vindo a alastrar por diversas regiões do Mundo.

Depois do sucedido nos EUA, com a emergência de sectores anti-democráticos em França, na Holanda, na Áustria e noutros países europeus, com o concomitante avanço de correntes populistas e, mais dia, menos dia, de inspiração poujadista, não será com uma postura radical que a esquerda democrática poderá evitar o colapso do projeto europeu.

Pelo contrário, uma postura radical só contribuirá para uma crescente bipolarização das sociedades em que vivemos, com consequências bem previsíveis.

Daí que a esquerda democrática só deva ser radical na defesa dos valores inspiradores da acção interventora dos «País Fundadores» dos EUA, isto é, dos valores da Democracia e da Liberdade. No demais, deverá ter o bom-senso de combinar realismo com criatividade construtiva.

Nem mais, nem menos...

PARTILHAR O ARTIGO \\