Adilson Catala, Secretário de Estado para os Setores da Aviação Civil, Marítima e Portuária de Angola – «O desenvolvimento da Barra do Dande poderá ter impacto profundo na diversificação económica e sustentabilidade.»

Adilson Catala, Secretário de Estado para os Setores da Aviação Civil, Marítima e Portuária de Angola – «O desenvolvimento da Barra do Dande poderá ter impacto profundo na diversificação económica e sustentabilidade.»

A Barra do Dande está a emergir como um dos principais motores da transformação económica de Angola, combinando logística, indústria e energia num ecossistema integrado com ambição regional. Em entrevista à Villas&Golfe Angola, Adilson Catala destaca o papel estratégico da Zona Franca e do Terminal Oceânico na segurança energética, na atracção de investimento e na afirmação do país como hub logístico e energético em África.


A Barra do Dande está a afirmar-se como uma das grandes apostas estruturantes do país. Que papel estratégico poderá desempenhar na transformação de Angola num hub logístico e energético de referência em África?
A Zona Franca de Desenvolvimento Integrado da Barra do Dande, alinhada com o Plano de Desenvolvimento Nacional, foi concebida para dinamizar a industrialização, promover exportações e atrair investimento. A sua localização geoestratégica reforça a ligação aos principais corredores logísticos regionais e internacionais, aumentando a conectividade com mercados africanos e globais. A presença do Terminal Oceânico da Barra do Dande, com a maior reserva nacional de combustíveis, confere um papel crítico na segurança energética e posiciona Angola como plataforma relevante de distribuição energética no continente.

«A presença do Terminal Oceânico da Barra do Dande, com a maior reserva nacional de combustíveis […] posiciona Angola como plataforma relevante de distribuição energética no continente.»

De que forma o Terminal Oceânico da Barra do Dande poderá reforçar a segurança energética nacional e posicionar Angola como player global?
O TOBD é uma infraestrutura estratégica para a segurança energética e para o posicionamento regional e global. Internamente, moderniza e optimiza a logística de armazenagem e distribuição, aumenta a capacidade de reserva, melhora a eficiência e reduz vulnerabilidades, sendo essencial no processo de liberalização do mercado. Externamente, assume vocação regional como ponto de entrada e redistribuição de combustíveis para a SADC e África, com integração à Zona Franca que potencia novas rotas e fluxos comerciais.

A integração multimodal é decisiva na competitividade logística. Como está a ser pensada essa articulação?
A integração multimodal é central no modelo da Barra do Dande, articulando transporte rodoviário, ferroviário e marítimo para eficiência logística. A zona está ligada à rede rodoviária nacional pela EN100-1, prevendo-se ligação ferroviária ao corredor norte-sul. No domínio marítimo, o futuro Terminal Portuário, previsto para os próximos dois anos, será determinante para a ligação aos mercados e para o reforço das exportações.

Que mensagem gostaria de deixar aos investidores internacionais?
Angola está aberta ao investimento e a Barra do Dande é uma porta estratégica. A Zona Franca oferece um quadro legal competitivo, com incentivos fiscais e aduaneiros, facilidades cambiais e financeiras, regimes migratórios ágeis e condições laborais ajustadas. Mais do que incentivos, proporciona um ecossistema integrado com infraestruturas, localização estratégica e eficiência operacional, garantindo previsibilidade e retorno sustentável.

Quais os projectos já instalados e perspectivas futuras?
A Zona Franca conta com projectos relevantes e um pipeline robusto. Destaca-se o Parque Industrial da Sino-Ord, em operação desde 2018, com cerca de 400 hectares, 3.000 trabalhadores e 13 unidades fabris em sectores como construção, plásticos e papel, exportando para países como Congo e Botswana. O Parque Industrial de Alumínio – Fase I ocupa 72 hectares, com capacidade de 120 mil toneladas/ano, investimento inicial de USD 250 milhões e 1.200 empregos, podendo atingir USD 1,6 mil milhões. Em desenvolvimento estão a Reserva Nacional de Cereais (USD 34,72 milhões), a Refinaria de Óleos Alimentares (USD 29,99 milhões, 105 mil toneladas/ano) e a Plataforma Logística (USD 175,48 milhões, 60 mil contentores/ano). Em fase avançada estão projectos como fábrica de autocarros, postos de combustíveis e o Terminal Portuário. Há ainda propostas para um Parque Industrial Metalúrgico (500 hectares) e outros investimentos para diversificação e exportação.

«No domínio marítimo, o futuro Terminal Portuário […] será determinante para a ligação aos mercados e para o reforço das exportações.»

Que impacto estrutural poderá este ecossistema ter na economia angolana?
O desenvolvimento da Barra do Dande poderá ter impacto profundo na diversificação económica e sustentabilidade. Face à dependência do petróleo, a Zona Franca surge como instrumento estratégico para o sector não petrolífero e reequilíbrio da balança comercial. Ao articular logística, indústria e energia, promove novas cadeias de valor, industrialização, substituição de importações e exportações. Contribuirá para emprego qualificado, desenvolvimento de competências e fortalecimento empresarial, tornando Angola mais resiliente, competitiva e sustentável no longo prazo.

 

Texto: Redação 
Fotos: Edson Azevedo

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