Alberto António Bengue, PCA do Porto de Luanda – «O Porto de Luanda assume um papel determinante na afirmação de Angola como um hub logístico de referência […]»
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Num cenário de crescente integração económica e aposta na modernização das infra-estruturas, o Porto de Luanda destaca-se como a principal porta de entrada e saída de mercadorias de Angola. Nesta entrevista, o Presidente do Conselho de Administração, Alberto António Bengue, explica como a concessão a operadores internacionais, a melhoria da eficiência operacional e a articulação com projectos estratégicos estão a reforçar o posicionamento do porto como um hub logístico regional.

Qual o papel, hoje, do Porto de Luanda na afirmação de Angola como hub logístico na costa atlântica de África?
O Porto de Luanda assume um papel determinante na afirmação de Angola como hub logístico de referência na costa atlântica africana. Sendo a principal infra-estrutura portuária do país, concentra uma parte substancial do tráfego de mercadorias e constitui eixo central das operações de comércio externo. A sua localização geoestratégica permite responder ao mercado interno e funcionar como plataforma de distribuição para países do hinterland, contribuindo para a integração regional e o reforço da conectividade logística no continente. O sector portuário é estratégico para o desenvolvimento económico, sendo o Porto de Luanda o principal ponto de entrada e saída de mercadorias do país. A modernização tem sido impulsionada por reformas do Governo, incluindo a concessão de terminais a operadores privados internacionais. A entrada destes operadores tem permitido a introdução de equipamentos modernos, substituição de infra-estruturas obsoletas e aumento da capacidade operacional. Ao nível da eficiência, registam-se melhorias como a redução do tempo de espera dos navios, maior produtividade na movimentação de cargas e melhor organização das operações. Em termos económicos, verificam-se aumentos de receitas e redução de custos, resultantes de uma gestão mais eficiente e controlo de desperdícios. Paralelamente, o porto torna-se mais atractivo internacionalmente, pela integração em cadeias logísticas globais e pelo interesse crescente de investidores. A presença de operadores como DP World, Sogester e Noatum Ports promove uma competitividade saudável, traduzida na melhoria da eficiência, qualidade de serviços, competitividade de preços e estímulo à inovação através de investimento contínuo em tecnologia e modernização.

Que impacto concreto têm tido as concessões a operadores internacionais, como a DP World, na eficiência e modernização do Porto?
As concessões a operadores internacionais como a DP World têm tido um impacto significativo na modernização e eficiência do Porto de Luanda. Estas parcerias trouxeram investimento em tecnologia, melhoria de infra-estruturas e introdução de práticas de gestão mais avançadas. Em termos de eficiência, destacam-se a redução do tempo de espera dos navios, o aumento da produtividade na movimentação de cargas e uma melhor organização das operações. Do ponto de vista económico, contribuem para o aumento das receitas, redução de custos e reforço da atractividade internacional. Por outro lado, promovem a competitividade entre operadores, melhorando serviços, incentivando inovação e garantindo tarifas mais competitivas. Acresce ainda a transferência de conhecimento, através da formação de técnicos nacionais, partilha de know-how e adopção de práticas modernas de gestão.
«As concessões a operadores internacionais como a DP World têm tido um impacto significativo na modernização e eficiência do Porto de Luanda.»
Quais são as principais prioridades estratégicas da sua gestão para aumentar a capacidade e competitividade do Porto de Luanda nos próximos anos?
As prioridades estratégicas incluem a expansão e requalificação das infra-estruturas portuárias, a aceleração da transformação digital dos processos operacionais e o reforço da eficiência logística, incluindo a intermodalidade ferroviária. Assume também relevância a capacitação contínua dos recursos humanos, a promoção de parcerias estratégicas e a captação de investimento privado. Acresce o compromisso com a sustentabilidade ambiental, assegurando que o crescimento do porto decorra em linha com as melhores práticas internacionais.

De que forma o Porto de Luanda se articula com grandes projectos nacionais, como o Corredor do Lobito, para potenciar a logística integrada e o crescimento económico de Angola?
A articulação do Porto de Luanda com projectos estruturantes como o Corredor do Lobito é central para um sistema logístico integrado e eficiente. A integração dos corredores logísticos nacionais permite que o Porto de Luanda funcione como hub complementar, estabelecendo ligações entre litoral e interior e com países vizinhos, facilitando o escoamento de mercadorias e a dinamização das cadeias de valor. Importa sublinhar que não existe concorrência directa com o Porto do Lobito, mas sim complementaridade estratégica: enquanto o Porto do Lobito se vocaciona para a exportação de minérios, o Porto de Luanda afirma-se como principal porta de entrada de bens de consumo. A nível regional e internacional, o corredor liga Angola a países como a RDC e a Zâmbia, podendo Luanda funcionar como porto alternativo ou complementar, captando tráfego regional. Esta articulação contribui para o crescimento económico através do aumento do volume de cargas, dinamização do sector logístico, criação de emprego e crescimento do PIB. Paralelamente, favorece o desenvolvimento de zonas industriais, centros de distribuição e parques logísticos intermodais. Em síntese, esta integração logística, aliada à complementaridade funcional e ao desenvolvimento de cadeias multimodais, reduz custos, aumenta a eficiência do transporte, dinamiza o comércio interno e regional e posiciona Angola como um hub logístico estratégico na África Austral.
«A articulação do Porto de Luanda com projectos estruturantes como o Corredor do Lobito é central para um sistema logístico integrado e eficiente.»
Texto: Redação
Fotos: Visage Estudio, Direitos reservados