António Manuel Cabral, PCA do Caminho de Ferro de Benguela - «O Caminho de Ferro de Benguela-EP tem hoje uma importância absolutamente estratégica para Angola […]»
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A ferrovia afirma-se, inequivocamente, como a espinha dorsal da integração territorial e continental, assumindo um papel central na estratégia de reconstrução e crescimento sustentável. É neste enquadramento que António Manuel Cabral, presidente do Conselho de Administração do Caminho de Ferro de Benguela, partilha a visão, os desafios e o papel determinante desta infraestrutura no presente e no futuro de Angola.
Qual é hoje a importância estratégica do Caminho de Ferro de Benguela para as populações e para o desenvolvimento económico de Angola?
O Caminho de Ferro de Benguela-EP tem hoje uma importância absolutamente estratégica para Angola, tanto do ponto de vista social como económico. Para as populações, o CFB-EP representa mobilidade, inclusão e aproximação entre comunidades. Em muitas localidades, a ferrovia continua a ser um meio de transporte essencial, facilitando o acesso das pessoas aos centros urbanos, aos mercados, aos serviços de saúde, à educação e às oportunidades de emprego. Do ponto de vista económico, o CFB-EP é uma infraestrutura estruturante porque contribui hoje para a redução dos custos logísticos aos pequenos agricultores e empresários, melhora a circulação de bens e reforça a competitividade das regiões servidas pela linha. Em termos mais amplos, o Caminho de Ferro de Benguela-EP não é apenas uma linha ferroviária, é um instrumento de coesão territorial, de dinamização económica e de desenvolvimento nacional.
Ao longo da sua história, que papel tem o CFB desempenhado na ligação entre o interior do país e o litoral?
Historicamente, o CFB-EP sempre desempenhou um papel central na ligação entre o litoral e o interior de Angola. Desde a sua génese, esta infraestrutura foi concebida para ser um eixo de circulação de pessoas, bens e oportunidades, ligando o Porto do Lobito às províncias do interior e, por extensão, ao espaço regional da África Austral e Central. Essa função sempre foi estratégica porque permitiu aproximar zonas de produção aos centros de consumo e exportação, criando condições para o crescimento económico das regiões atravessadas pela linha. Ao mesmo tempo, a ferrovia ajudou a reduzir distâncias, integrar territórios e fortalecer a unidade económica do país. Hoje, com a sua recuperação e modernização, volta a assumir plenamente esse papel de ponte entre o interior produtivo e o litoral logístico e portuário.
Que principais avanços foram alcançados nos últimos anos ao nível do transporte de passageiros e de mercadorias?
Nos últimos anos, o CFB-EP registou avanços importantes, tanto no transporte de passageiros como no de mercadorias. No segmento de passageiros, temos vindo a trabalhar para garantir maior regularidade, segurança, conforto e proximidade com as populações, com impacto directo na mobilidade diária das comunidades e no reforço da função social da ferrovia. No transporte de mercadorias, verificaram-se melhorias relevantes, com reforço da capacidade operacional, recuperação progressiva da actividade logística e melhor aproveitamento da linha ferroviária como suporte ao escoamento de produtos e pequenas cargas. Houve ainda um avanço importante ao nível da requalificação da infraestrutura, da organização operacional e da valorização do papel do CFB-EP dentro da cadeia logística nacional.
«No segmento de passageiros, temos vindo a trabalhar para garantir maior regularidade, segurança, conforto e proximidade com as populações […]»

Que investimentos e projectos estão actualmente em curso para reforçar a capacidade e a eficiência do CFB?
Actualmente, o foco está centrado em investimentos que permitam ao CFB-EP tornar-se cada vez mais eficiente, seguro, moderno e orientado para o serviço público. Destacam-se a melhoria contínua da infraestrutura ferroviária, a manutenção e recuperação do material circulante, o reforço das condições operacionais das estações e apeadeiros e a melhoria dos sistemas de apoio à circulação e à segurança ferroviária. Paralelamente, há uma aposta na modernização da gestão operacional, na qualificação dos recursos humanos e na criação de melhores condições para elevar a qualidade do serviço prestado aos passageiros e aos operadores de carga.
Qual é a visão estratégica para o futuro do CFB no contexto do Corredor do Lobito e do posicionamento de Angola como hub logístico?
A visão estratégica para o futuro do CFB-EP é muito clara: queremos uma empresa cada vez mais moderna, funcional, sustentável e alinhado com as prioridades do desenvolvimento nacional e regional. No contexto do Corredor do Lobito, Angola tem hoje uma oportunidade histórica para se afirmar como um verdadeiro hub logístico regional. Com a nova configuração operacional do Corredor do Lobito, o CFB-EP assume uma missão muito bem definida: assegurar o transporte de passageiros e de pequenas cargas com qualidade, segurança, regularidade e proximidade às populações. O nosso objectivo é que o CFB-EP continue a ser um factor de desenvolvimento, de integração e de inclusão. A empresa do Caminho de Ferro de Benguela é parte da história de Angola, mas, acima de tudo, é parte do seu futuro.
«A empresa do Caminho de Ferro de Benguela é parte da história de Angola, mas, acima de tudo, é parte do seu futuro.»
Texto: Redação
Fotos: Direitos Reservados