António Pombal, PCA do Airport Temporary Operator & Operational Consulting
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Num momento decisivo para a aviação angolana, o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto afirma-se como uma infraestrutura estratégica para o futuro do país. Nesta entrevista, exploramos os desafios da fase de transição, o papel do modelo ATO na coordenação das operações e a ambição de posicionar Angola como um hub logístico e aéreo de referência em África, num contexto de exigência, inovação e crescente integração internacional.
«O Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto representa uma infraestrutura estruturante para o reposicionamento de Angola no mapa da aviação e logística africana e internacional.»
Qual tem sido o principal desafio na gestão e activação do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto durante esta fase de transição?
O principal desafio tem sido assegurar uma transição operacional integral, simultaneamente progressiva e segura, entre o Aeroporto 4 de Fevereiro e o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, num contexto de elevada complexidade técnica, institucional e logística. Não se trata apenas de transferir voos, mas de reconfigurar todo um ecossistema aeroportuário, envolvendo companhias aéreas, operadores de handling, autoridades de fronteira, logística de carga, sistemas tecnológicos e fluxos de mobilidade. Este processo exigiu coordenação multilateral permanente, disciplina operacional e alinhamento institucional. Acresce o desafio de activar um aeroporto de nova geração ainda em fase de maturação, o que implica calibrar em tempo real processos, capacidades e níveis de serviço, garantindo padrões internacionais de segurança e qualidade.
De que forma o modelo ATO tem contribuído para garantir uma transferência eficiente e segura das operações do antigo aeroporto para o AIAAN?
O modelo da ATO & OC, S.A. tem sido determinante como entidade de orquestração operacional e institucional nesta fase. Inspirado nas melhores práticas internacionais de ORAT (Operational Readiness and Airport Transfer), centraliza o planeamento, coordenação e execução das actividades críticas, assegurando uma visão integrada de todos os intervenientes do sistema aeroportuário e do ecossistema do transporte aéreo e logístico. Este modelo contribui para mitigar riscos operacionais através de planeamento faseado e testes, garantir alinhamento entre stakeholders públicos e privados, assegurar continuidade operacional sem disrupções significativas, criar uma base estruturada para a futura concessão e funcionar como instrumento de estabilização e credibilização do processo de transição.
Que impacto estratégico poderá o novo aeroporto ter no posicionamento de Angola como hub logístico e aéreo em África?
O Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto representa uma infraestrutura estruturante para o reposicionamento de Angola no mapa da aviação e logística africana e internacional. Pela sua capacidade instalada, localização geoestratégica e potencial de expansão, permite desenvolver um hub regional de passageiros com ligações intercontinentais, potenciar um corredor logístico para carga aérea e multimodal, atrair operadores internacionais de logística, manutenção aeronáutica e distribuição, e impulsionar o desenvolvimento da aerotrópole e zonas económicas adjacentes. Este posicionamento é reforçado pela visão estratégica do Executivo, em particular do Ministério dos Transportes, que promove uma abordagem integrada entre infraestruturas, regulação e captação de investimento privado.
«O modelo da ATO & OC, S.A. tem sido determinante como entidade de orquestração operacional e institucional nesta fase.»
Quais são as prioridades do ATO ao nível da experiência do passageiro e da eficiência operacional nesta fase inicial?
As prioridades centram-se em dois eixos: previsibilidade operacional e qualidade da experiência do passageiro. Ao nível operacional, o foco está na estabilização dos processos críticos (check-in, segurança, controlo de fronteiras, handling e bagagem), redução dos tempos de processamento e integração eficiente entre sistemas e entidades. Ao nível do passageiro, pretende-se garantir clareza na sinalização, fluidez nos fluxos, níveis consistentes de conforto e atendimento, comunicação eficaz num contexto de mudança e eliminação de constrangimentos na jornada do passageiro, assegurando agilidade no check-in, segurança fluida e uma experiência comercial de classe mundial, onde marcas internacionais coexistem com a hospitalidade angolana. O objectivo é que a primeira impressão seja de modernidade, organização e excelência.

Olhando para o futuro, que legado considera essencial deixar nesta fase de gestão transitória antes da entrada do operador definitivo?
O legado mais relevante é a criação de uma base sólida, credível e sustentável para a operação futura do aeroporto. Isso implica deixar um aeroporto operacionalmente estável e testado, processos padronizados e alinhados com normas internacionais, um ecossistema de stakeholders funcional e coordenado, um modelo de governação claro e orientado a desempenho, e um activo valorizado e atractivo para investidores e operadores internacionais. É igualmente essencial preparar uma plataforma de crescimento capaz de competir e afirmar-se como hub regional, bem como transferir um activo credível, com processos certificados e uma força de trabalho qualificada e resiliente. O sucesso será medido pela suavidade da transição para o operador definitivo, entregando não apenas uma infraestrutura, mas um ecossistema aeroportuário funcional, seguro e com potencial de crescimento imediato que orgulhe os angolanos.
«O legado mais relevante [a deixar nesta fase] é a criação de uma base sólida, credível e sustentável para a operação futura do aeroporto.»
Texto: Redação
Fotos: Edson Azevedo