Celso Rosas, PCA do Porto do Lobito- «A grande ambição estratégica é afirmar o Porto do Lobito como hub logístico de referência em África […]

Celso Rosas, PCA do Porto do Lobito- «A grande ambição estratégica é afirmar o Porto do Lobito como hub logístico de referência em África […]

O Porto do Lobito afirma-se como uma plataforma logística estratégica em Angola e no continente africano. Nesta entrevista, o Presidente do Conselho de Administração Celso Rosas aborda a modernização do porto, o seu posicionamento no corredor logístico e o papel na nova geopolítica dos minerais críticos, bem como a visão para o futuro enquanto hub de referência em África.

 

O que distingue hoje o Porto do Lobito no mapa competitivo dos grandes portos atlânticos africanos?
O Porto do Lobito distingue-se pela sua localização geoestratégica no Atlântico Sul, sendo uma das portas mais curtas e eficientes de acesso ao interior da África Austral e Central. Esta vantagem é reforçada pela ligação ao Corredor do Lobito, que integra o Caminho-de-Ferro de Benguela, permitindo acesso competitivo a países como a RDC e a Zâmbia. Soma-se a modernização operacional, com investimentos em equipamentos, digitalização de processos e melhoria da eficiência logística, reduzindo tempos de espera, aumentando a previsibilidade e reforçando a confiança dos operadores internacionais. Destaca-se ainda a vocação multipropósito, apta a movimentar carga geral, contentores e granéis sólidos e líquidos, garantindo flexibilidade num contexto global volátil. Acresce o compromisso com boa governação, sustentabilidade e parcerias público-privadas, posicionando o Porto do Lobito como uma plataforma moderna e alinhada com as melhores práticas internacionais.

De que forma o porto está a posicionar-se para responder à nova geopolítica dos minerais críticos e das cadeias logísticas globais?
O Porto do Lobito assume um papel central no escoamento de minerais críticos como cobre e cobalto provenientes da RDC e da Zâmbia. A estratégia passa pela modernização e expansão das infraestruturas, incluindo terminais especializados e soluções adequadas ao manuseamento destes recursos. Em paralelo, avança a digitalização e simplificação dos procedimentos aduaneiros, reduzindo constrangimentos burocráticos. A articulação com parceiros internacionais e operadores globais traz know-how, investimento e padrões operacionais exigentes, alinhando o porto com cadeias de abastecimento modernas. Acresce o foco em logística sustentável e rastreabilidade, valorizados na transição energética. A integração entre ferrovia e porto garante eficiência, tornando o corredor mais rápido, seguro e competitivo. Assim, o Porto do Lobito posiciona-se como plataforma logística de referência regional, promovendo o comércio intra-africano e o investimento internacional. É também membro do Pacto Global das Nações Unidas, comprometendo-se com princípios de direitos humanos, normas laborais, ambiente e combate à corrupção.

Que ganhos estruturais trouxeram a articulação entre infraestruturas portuária, ferrovia e operadores internacionais?
A articulação entre o Porto do Lobito, o Caminho-de-Ferro de Benguela e operadores internacionais consolidou um corredor logístico integrado. Verificou-se redução dos custos logísticos e dos tempos de trânsito, aumentando a competitividade face a rotas alternativas e a atractividade para o comércio. Houve aumento da capacidade de movimentação de carga, beneficiando da complementaridade entre transporte marítimo e ferroviário, assegurando maior fluidez desde o hinterland até ao porto. A presença de operadores internacionais trouxe melhores práticas de gestão, maior transparência e eficiência operacional, reforçando a credibilização do corredor. Em termos mais amplos, esta articulação dinamiza cadeias de valor, cria emprego e reforça a integração económica de Angola com a região e o mundo.

«O Porto do Lobito assume um papel central no escoamento de minerais críticos como cobre e cobalto provenientes da RDC e da Zâmbia.»

Que ambição estratégica define o futuro do Porto do Lobito enquanto grande plataforma logística de África?
A grande ambição estratégica é afirmar o Porto do Lobito como hub logístico de referência em África, ligando o Atlântico aos centros de produção mineral e industrial do interior do continente. Esta visão assenta na expansão da capacidade, inovação tecnológica e integração regional. Implica investimento contínuo em infraestruturas modernas, digitalização e soluções logísticas inteligentes. Pretende-se consolidar o porto como centro de excelência em serviços logísticos, atraindo operadores globais, promovendo zonas logísticas e industriais e criando valor para a economia nacional. A formação de quadros nacionais altamente qualificados é igualmente central. A missão é atuar como elo de intermodalidade e logística, sendo não apenas ponto de passagem de mercadorias, mas motor de desenvolvimento económico, integração regional e afirmação de Angola no comércio internacional.

Fale-nos um pouco do processo de dragagem.
Encontra-se em curso a dragagem do cais de acostagem, numa área de cerca de 140 mil metros quadrados, com remoção aproximada de 90 mil metros cúbicos de material. Esta intervenção permitirá restabelecer as quotas operacionais de 14,7 metros no Terminal de Contentores e de 11,5 metros nos cais Norte e Sul. Com duração prevista de três meses, é executada com rigor técnico e acompanhamento permanente, garantindo a continuidade das operações portuárias. Trata-se de uma dragagem de manutenção destinada à reposição dos fundos nas zonas Norte, Sul e Este, melhorando a navegabilidade e permitindo a recepção de navios de maior porte, aumentando a eficiência operacional. Reforça ainda a atractividade do porto junto de armadores e operadores logísticos. Mais do que uma intervenção técnica, evidencia o compromisso com a modernização contínua das infraestruturas, criando condições para crescimento sustentável, captação de novas linhas marítimas e aumento do volume de carga movimentada.


Texto: Redação
Fotos: Direitos Reservados


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