Francisco Pinto Leite, PCE da MSTelcom – «A MSTelcom tem a responsabilidade de ser a espinha dorsal tecnológica da modernização de Angola [...]»

Francisco Pinto Leite, PCE da MSTelcom – «A MSTelcom tem a responsabilidade de ser a espinha dorsal tecnológica da modernização de Angola [...]»

Num cenário de profunda transformação tecnológica, Francisco Pinto Leite, PCE da MSTelcom, partilha uma visão ambiciosa para Angola, onde a inovação deixa de ser apenas suporte e passa a ser motor de desenvolvimento. Da conectividade inteligente aos grandes projectos estruturantes, o responsável revela como a integração de tecnologia está a redesenhar a mobilidade, a economia e o posicionamento do país como um dos novos pólos digitais do continente africano.


Angola está a acelerar a sua transformação digital. Qual deve ser o papel da MSTelcom neste novo ciclo de crescimento?
A MSTelcom tem a responsabilidade de ser a espinha dorsal tecnológica da modernização de Angola, garantindo que a transformação digital se traduz em impacto na mobilidade, eficiência institucional e competitividade. No sector dos transportes, desenvolvemos soluções para gestão de corredores logísticos, monitorização de frotas e optimização de rotas, reduzindo custos e melhorando a conectividade. Este ciclo recupera a visão pioneira da Mercury, reforçando a ambição de conectar o país. As nossas infra-estruturas suportam serviços como identificação electrónica e plataformas públicas digitais, assegurando conectividade segura em todo o território. O objectivo é transformar tecnologia em desenvolvimento humano e social.

Depois da sua experiência na Paratus, que prioridades estratégicas traz para a liderança da MSTelcom?
Num contexto em que as telecomunicações são uma commodity, o valor está na integração e impacto. Definimos três prioridades: integração de sistemas, ligando transportes rodoviário, ferroviário e aéreo em soluções multimodais; descentralização tecnológica, levando serviços digitais a regiões remotas; parcerias público-privadas, acelerando investimentos e soluções com impacto na mobilidade e inclusão digital. Estas prioridades reforçam a tecnologia como motor de políticas públicas eficazes e desenvolvimento sustentável.

«A confiança digital é base para serviços públicos eficientes, transportes modernos e uma economia competitiva.»

Cloud, Cyber Securty, Angosat-2 e Drones são apostas claras. Onde vê maior impacto imediato na economia angolana?
O Angosat-2 destaca-se pelo impacto estruturante, assegurando conectividade em zonas remotas e melhorando a logística e o acesso a serviços públicos digitais. Os drones estão a transformar a gestão de infra-estruturas, permitindo inspecções preventivas e apoiando o transporte de bens essenciais. A cloud e a cibersegurança garantem sistemas fiáveis, permitindo partilha segura de dados e melhor coordenação governamental. O maior impacto económico resulta da integração destas tecnologias na mobilidade, logística e governação.

Num mundo cada vez mais digital, como garantir a confiança e segurança nas infraestrutura críticas?
A segurança é tratada como elemento estrutural («security by design»), com sistemas protegidos por múltiplas camadas, encriptação e modelos zero trust. A MSTelcom assegura também governança colaborativa com reguladores, planos de continuidade de negócio e funcionamento ininterrupto de serviços essenciais. Outro eixo é a capacitação local, formando especialistas em cibersegurança e operação de infra-estruturas críticas. A confiança digital é base para serviços públicos eficientes, transportes modernos e uma economia competitiva.

Sendo a MSTelcom uma subsidiária do grupo Sonangol, que vantagens competitivas essa ligação ao Estado angolano pode trazer - e que desafios impõe - num mercado cada vez mais dinâmico e competitivo?
A ligação ao Grupo Sonangol garante estabilidade, visão de longo prazo e alinhamento com prioridades nacionais, facilitando o desenvolvimento de infra-estruturas digitais e o acesso a activos estratégicos. Esta proximidade permite criar soluções adaptadas à administração pública e expandir conectividade em regiões menos servidas. Por outro lado, exige equilibrar eficiência comercial com missão pública e manter agilidade num ambiente regulado. A MSTelcom responde com modelos de governança que asseguram autonomia, transparência e competitividade. 

Que legado gostara de deixar na MSTelcom e que papel pode Angola assumir no futuro tecnológico de África?
Pretendo consolidar a MSTelcom como referência tecnológica, resgatando o ADN pioneiro da Mercury e promovendo equipas capacitadas, processos sólidos e impacto real. Angola pode afirmar-se como plataforma digital regional, graças à sua localização e investimentos em conectividade. A MSTelcom pode contribuir com soluções integradas que liguem o país ao continente e ao mundo.

«A ligação ao Grupo Sonangol garante estabilidade, visão de longo prazo e alinhamento com prioridades nacionais […]»

 

Texto: Redação 
Fotos: Direitos reservados

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