Manuel Nazareth Neto, PCA do Porto do Namibe – «Até 2027, o objetivo é que o Porto do Namibe seja reconhecido […] pela sua eficiência operacional, capacidade e sustentabilidade.»
Share
Entre o Atlântico e os corredores emergentes da África Austral, o Porto do Namibe afirma-se como uma infraestrutura em transformação, chamada a desempenhar um papel central na integração económica regional. Assente na modernização da Baía de Moçâmedes e numa visão orientada para a eficiência e sustentabilidade, posiciona-se como um ponto de convergência entre comércio, indústria e novas dinâmicas logísticas que contribuem para redesenhar o mapa do sul do continente africano.
O Porto do Namibe dispõe hoje de condições únicas no Sul de Angola. Que papel ambiciona assumir na redefinição do mapa logístico da África Austral?
O Porto do Namibe reúne um conjunto de vantagens competitivas relevantes, nomeadamente a sua localização geoestratégica, a proximidade a importantes zonas mineiras e uma infraestrutura recentemente modernizada, com destaque para a Nova Ponte Cais do Terminal Mineraleiro do Saco Mar e o Novo Terminal de Contentores. A nossa ambição é posicionar o Porto do Namibe como um hub logístico estruturante da África Austral, servindo não apenas o sul de Angola, mas também países do interior como o norte da Namíbia, Botswana e, potencialmente, a Zâmbia, através do Corredor do Namibe. Pretendemos afirmar-nos como uma alternativa eficiente e competitiva face aos portos tradicionais da região, contribuindo para a diversificação das rotas e a redução dos custos logísticos. Mais do que um ponto de passagem de mercadorias, queremos desempenhar um papel ativo na reconfiguração das cadeias de abastecimento regionais, promovendo maior integração económica e facilitando o comércio intra-africano.
Como transformar os investimentos realizados na Baía de Moçâmedes em valor económico sustentável?
Os investimentos realizados constituem uma base sólida, mas o desafio está na sua capitalização estratégica. A nossa atuação assenta em três eixos: a atração de carga estruturante e novas linhas de navegação, consolidando fluxos regulares em áreas como mineração, combustíveis, contentores e carga geral; as parcerias público-privadas, fundamentais para atrair operadores internacionais e investidores que tragam know-how e dinamismo; e a sustentabilidade aliada ao valor local, promovendo emprego qualificado, cadeias de valor locais e garantindo equilíbrio ambiental. O objetivo é transformar as infraestruturas em plataformas produtivas que contribuam para o PIB, a diversificação económica e a preservação do meio marinho.
«Pretendemos afirmar-nos como uma alternativa eficiente e competitiva face aos portos tradicionais da região [...]»
De que forma o Porto do Namibe pode integrar indústria, mineração, logística e turismo?
O futuro dos portos passa pela integração, e é essa a visão em implementação. O Porto do Namibe está bem posicionado para se afirmar como uma plataforma multifuncional. Na indústria, dispõe de áreas adjacentes com potencial para parques industriais ou Zonas Económicas Especiais, incentivando a transformação local. Na mineração, a proximidade a projetos no sul de Angola e países vizinhos reforça o seu papel como porta de saída para minérios de ferro e rochas ornamentais. Ao nível logístico, os investimentos na intermodalidade, com ligações rodoviárias e ferroviárias, fortalecem o Corredor do Namibe. No turismo, a Baía de Moçâmedes apresenta elevado potencial para cruzeiros e turismo náutico, coexistindo com a atividade portuária e dinamizando a economia regional. O objetivo é criar um ecossistema integrado, onde os setores se reforçam mutuamente e aumentam a competitividade global.

Que legado pretende deixar até 2027?
Até 2027, o objetivo é que o Porto do Namibe seja reconhecido não apenas pela sua infraestrutura, mas pela sua eficiência operacional, capacidade e sustentabilidade. Para tal, está em curso, desde janeiro de 2026, o processo de certificação com vista à obtenção das normas ISO. O legado assenta em quatro pilares: reconhecimento regional como hub logístico competitivo; operações eficientes e digitalizadas, alinhadas com padrões internacionais; integração nos corredores logísticos da África Austral, através do Corredor do Namibe; e impacto socioeconómico tangível nas províncias do Namibe, Huíla, Cuando Cubango e Cunene. Mais do que números, o objetivo é consolidar o Porto do Namibe como um motor de desenvolvimento sustentável e um instrumento de afirmação de Angola no contexto africano e global.
«Os investimentos realizados constituem uma base sólida, mas o desafio está na sua capitalização estratégica»
Texto: Redação
Fotos: Direitos reservados