Miguel Carneiro, Chief Transformation Officer da TAAG – «A TAAG deve funcionar como plataforma de conectividade para mobilidade, comércio e investimento.»

Miguel Carneiro, Chief Transformation Officer da TAAG – «A TAAG deve funcionar como plataforma de conectividade para mobilidade, comércio e investimento.»

A TAAG atravessa uma fase determinante de transformação, em que eficiência operacional, disciplina financeira e modernização estratégica se cruzam com a ambição de posicionar Angola como um hub regional de referência. Em entrevista à Villas&Golfe Angola, Miguel Carneiro, Chief Transformation Officer da companhia, detalha os desafios, prioridades e métricas que estão a orientar este processo de mudança e o caminho para uma rentabilidade sustentável.


A TAAG pode dar lucro de forma consistente nos próximos anos? O que tem obrigatoriamente de mudar?
A rentabilidade consistente é um objectivo realista, mas exige disciplina estratégica e continuidade no processo de transformação. A TAAG tem vindo a reduzir perdas e trabalha para atingir resultados positivos sustentados até ao final da década. Para isso, é essencial aumentar a produtividade dos activos, reforçar a eficiência operacional, optimizar a rede e aprofundar a digitalização. Esse é o foco do plano estratégico e do Programa PALANCA (2025-2029): transformar a TAAG numa empresa moderna, eficiente e financeiramente sustentável.

Hoje, qual é o maior obstáculo à rentabilidade?
A rentabilidade depende do equilíbrio entre custos, eficiência e decisões comerciais. Na TAAG, os desafios estiveram na simplificação de processos, melhor utilização da frota e sustentabilidade da rede. A transformação foca-se numa organização mais ágil, rede optimizada e disciplina operacional. A parceria com a Lufthansa Consulting visa alinhar a companhia com padrões internacionais de gestão, operação e governação.

Onde estão hoje os maiores ganhos de eficiência?
A renovação da frota é relevante, mas não suficiente. Os maiores ganhos estão na utilização da frota (mais horas de voo e produtividade), na gestão da rede (rotas sustentáveis e reforço de Luanda como hub) e na digitalização e revenue management, que optimizam preços, canais e ocupação. A evolução integrada destas áreas torna a companhia mais competitiva.

Que métricas são essenciais para medir o sucesso?
A transformação mede-se por indicadores financeiros e operacionais. Entre os financeiros: receita por passageiro, margem operacional e resultado líquido. Nos operacionais: taxa de ocupação, pontualidade, regularidade e produtividade da frota. Há ainda a confiança do cliente, essencial para crescimento sustentável. Com evolução consistente destes indicadores, o resultado financeiro surge naturalmente.

Que papel estratégico deve a TAAG desempenhar em Angola?
Angola tem uma posição geográfica estratégica entre África Austral, África Ocidental, Europa e América do Sul. A TAAG deve funcionar como plataforma de conectividade para mobilidade, comércio e investimento. O novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto reforça essa ambição. Uma companhia eficiente impacta turismo, comércio, logística e integração regional.

«[TAAG] serves as a vehicle for Angolan identity and hospitality […]»

Que decisões difíceis terão de ser tomadas?
A transformação exige decisões exigentes: reforçar disciplina financeira, optimizar custos e garantir contributo de todas as áreas. A TAAG já implementa controlo e racionalização de despesas. Será necessário optimizar rotas, aumentar produtividade da frota e consolidar parcerias técnicas. O objectivo é uma empresa mais sólida, eficiente e competitiva.

A TAAG está preparada para ser um argumento turístico de Angola?
A experiência do visitante começa no avião. A TAAG trabalha na modernização da frota, melhoria da experiência, consistência operacional e reforço da conectividade. Transporta também a identidade e hospitalidade angolana, tornando-se um embaixador do país quando combinada com padrões internacionais.

Está preparado para decisões impopulares?
A transformação exige clareza estratégica e responsabilidade. O objectivo é garantir uma TAAG sustentável, alinhada com melhores práticas internacionais. Isso implica decisões difíceis quando necessário, não por ruptura, mas por responsabilidade. Existe visão, plano e vontade interna de mudança, permitindo afirmar que a companhia está a evoluir para um modelo mais moderno e eficiente.

 

Texto: Redação 
Fotos: Direitos reservados

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