Nuno Neves, Diretor-geral do InterContinental Luanda Miramar - InterContinental: um marco nos 50 anos de Angola
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Nascido em Setúbal, Portugal, a 18 de julho de 1963, Nuno Neves é diretor-geral do InterContinental Miramar Luanda, após uma carreira internacional marcada pelo cosmopolitismo e pela excelência. Licenciado em Turismo e Gestão Hoteleira, iniciou o percurso na Air Atlantis, abraçando desde cedo uma vida feita de viagens, culturas e desafios além-fronteiras. Com experiência consolidada da Europa ao Médio Oriente e a África, conduz cada projeto com a mesma filosofia: servir com dedicação, respeitar as culturas locais e aproximar o hotel da comunidade. Fluente em seis idiomas e cidadão do mundo por vocação, tem no fator humano a verdadeira essência da hotelaria.
Cinco décadas depois da independência, que Angola encontra quando olha da janela do InterContinental?
Vejo uma Angola em movimento, mais dinâmica e pujante. Uma cidade que, dia após dia, se transforma, com uma energia renovada que atravessa a economia e a sociedade. Depois do silêncio da pandemia, voltou a pulsar. Já não é apenas o tempo do petróleo: hoje, a ambição é diversificar, abrir horizontes, criar novos mercados. E isso representa, para mim, uma oportunidade única e profundamente positiva.
Que significado tem para si, pessoal e profissionalmente, liderar um projeto como este num momento histórico dos 50 anos?
É uma honra poder ter preparado e conduzido a abertura desta unidade que é, para Angola, uma porta de entrada para a hotelaria internacional. Desde o início, temos sido palco de encontros de relevo nacional, regional e global. O InterContinental afirma-se, assim, como um marco que se inscreve na celebração dos 50 anos de independência.
«Vejo uma Angola em movimento, mais dinâmica e pujante.»
O InterContinental é um projeto recente, mas já incontornável em Angola. Como se inscreve esta unidade na narrativa dos 50 anos de independência?
Este hotel é símbolo de renovação, de uma nova imagem para a hotelaria angolana. Ao associar-se a esta efeméride, torna-se referência e afirma-se como ícone deste marco histórico.
Sendo uma unidade de referência em Angola, que mensagem transmite o hotel sobre a ambição e a soberania nacional?
Pertencendo a entidades nacionais e sendo gerido por uma marca mundial IHG, o InterContinental traduz a ambição estratégica de projetar Angola no turismo internacional. É um sinal de soberania e modernidade, com padrões de qualidade reconhecidos em qualquer parte do mundo.
«O InterContinental afirma-se […] como um marco que se inscreve na celebração dos 50 anos de independência.»
Como é que o espírito da independência se reflete no dia-a-dia do hotel — no acolhimento, na equipa, na identidade e no serviço?
Reflete-se na aposta no talento angolano. Investimos na formação de jovens que, com orgulho, aprendem o modelo InterContinental e surpreendem os clientes pela capacidade de servir e comunicar em português e em inglês. A formação é contínua, há estágios em hotéis da cadeia no estrangeiro e multiplicam-se as promoções internas. Hoje somos 530, mas o objetivo é claro: em breve, ter diretores angolanos a liderar operações.
Nestes 50 anos, como vê a evolução da hotelaria angolana? E o que falta ainda construir?
A hotelaria deixou de ser vista como um trabalho secundário e começa a ser encarada como uma carreira digna, capaz de oferecer estabilidade e futuro. O que falta é mudar mentalidades: é preciso que se reconheça a hotelaria como um setor nobre, essencial para o desenvolvimento do país.

O que espera do futuro de Angola como país independente? E que papel poderá desempenhar a hotelaria nos próximos 50 anos?
Angola tem uma geografia de rara beleza — praias intermináveis, savanas, planaltos, cascatas. A hotelaria poderá ser motor de desenvolvimento se houver investimento em infraestruturas: estradas, pontos de apoio, serviços básicos. Com estas condições, o turismo rural, o enoturismo e outras experiências locais poderão florescer, como acontece hoje em Portugal. Nos próximos 50 anos, acredito que a hotelaria será sinónimo de progresso e um dos grandes pilares da economia nacional.
Se resumisse Angola em três palavras, quais escolheria hoje e porquê?
Potencial, Orgulho e Futuro. Potencial pelas condições naturais e pela hospitalidade das suas gentes. Orgulho, porque o povo angolano entrega-se de corpo e alma quando encontra projetos que o valorizam. Futuro, porque Angola tem tudo para se afirmar como destino turístico e potência económica no continente africano.
«Nos próximos 50 anos, acredito que a hotelaria será sinónimo de progresso e um dos grandes pilares da economia nacional.»
Texto: PJLM
Fotos: Edson Azevedo