Andrez Andrez – Do algarve para o mundo

Andrez Andrez – Do algarve para o mundo

Com raízes no Algarve e um olhar assumidamente cosmopolita, a Andrez Andrez afirma-se como uma referência do design de interiores no luxo contemporâneo. Fundada por Sofia Andrez e Joana Andrez - mãe e filha - o atelier desenvolve projetos onde a elegância nasce do equilíbrio entre arquitetura, interior e forma de viver. À Villas&Golfe falam de internacionalização, identidade autoral e de uma visão do luxo que se afasta do excesso para se aproximar do essencial.

 

A Andrez Andrez construiu uma carreira sólida a partir do Algarve, mas com uma linguagem que ultrapassa geografias. Em que momento sentiram que o vosso trabalho se tornou verdadeiramente internacional?
AA - Não houve um momento isolado mas uma evolução natural. Desde o início, nunca desenhámos com uma lógica regional, desenhámos com uma linguagem universal: proporção, luz, materialidade e emoção. Esses elementos não têm fronteiras. Talvez o verdadeiro reconhecimento tenha surgido quando começámos a trabalhar com clientes de diferentes nacionalidades e percebemos que a nossa abordagem era compreendida e valorizada independentemente da cultura. 

A Quinta do Lago é hoje um dos maiores palcos do luxo residencial na Europa. O que é que os projetos neste empreendimento lhes permitiram explorar em termos de escala, detalhe e exigência criativa?
AA - O facto de trabalharmos neste local desde o início da Andrez Andrez permitiu-nos testar a nossa abordagem em contextos de grande escala, sem nunca perder a atenção ao detalhe que define um projeto da nossa marca. A exigência criativa é naturalmente elevada, mas a escala nunca é um obstáculo; é uma oportunidade de elevar o conceito, mantendo sempre a assinatura de detalhe e autenticidade que caracteriza o nosso trabalho.

Para a Sofia e para a Joana, o luxo nasce mais da materialidade, da proporção ou da forma como um espaço é vivido no quotidiano?
AA - Para nós, o luxo nasce da experiência total do espaço. A materialidade e a proporção são essenciais — definem qualidade, equilíbrio e harmonia visual — mas só ganham significado quando o espaço se integra no quotidiano de quem o habita. Um interior verdadeiramente luxuoso não se impõe; acolhe, funciona, emociona. É a coerência entre beleza, conforto e funcionalidade que transforma uma casa em algo intemporal, memorável e profundamente pessoal.

Antes de pensarem em tecidos, volumes ou iluminação, o que procuram compreender sobre o estilo de vida de quem vai habitar o espaço?
AA - Antes de qualquer decisão estética, procuramos compreender profundamente quem vai habitar o espaço: os seus hábitos, rotinas, necessidades e aspirações. É essencial perceber não apenas o que funciona no dia a dia, mas também o que cria conforto, prazer e bem-estar emocional. Só a partir desse conhecimento conseguimos traduzir estilo de vida em soluções de design que sejam coerentes, intemporais e verdadeiramente pessoais. 

«Para nós, o luxo nasce da experiência total do espaço.»

Há algum projeto que vos tenha marcado particularmente? Porquê?
AA - Cada um nos marca de uma forma diferente e particular. Uns pelo desafio profissional, outros por uma conexão mais emocional com os clientes, outros devido as experiências que nos proporcionam viver. Todos são especiais e únicos! 

Os vossos projetos atraem clientes internacionais com culturas e expectativas muito distintas. Como mantém uma identidade autoral sem nunca perder a essência de cada cliente?
AA - A nossa assinatura nasce da coerência entre proporção, luz, materialidade e narrativa, não de um estilo imposto. Cada cliente é único, e o nosso trabalho começa sempre por compreender profundamente a sua vida, valores e aspirações. A partir daí, traduzimos essa essência em soluções de design que respeitam o contexto cultural e as necessidades individuais, mas que carregam a nossa linguagem intemporal. É essa combinação que garante uma identidade autoral forte sem nunca apagar a personalidade de quem habita o espaço.

Num setor constantemente influenciado por modas, como garantem que os seus projetos resistem ao tempo — estética e emocionalmente?
AA - Na Andrez Andrez não desenhamos tendências, desenhamos permanência. Acreditamos que um projeto intemporal nasce da compreensão profunda de três pilares: arquitetura, contexto e identidade de quem o vai viver. As tendências podem inspirar detalhes, mas nunca são o ponto de partida. O ponto de partida é sempre a essência. Esteticamente, privilegiamos proporções equilibradas, materiais autênticos e soluções construtivas sólidas. Trabalhamos com texturas naturais, paletas coerentes e peças com caráter, evitando elementos excessivamente datados ou decorativos. Emocionalmente, o tempo é garantido quando o espaço conta uma história verdadeira. Um interior que reflete o estilo de vida, os valores e as memórias do cliente cria ligação — e essa ligação não envelhece.

«Um interior verdadeiramente luxuoso não se impõe; acolhe, funciona, emociona.»

Quando olham para o futuro, o que gostariam que fosse imediatamente reconhecido como «um projeto Andrez Andrez » — não apenas em Portugal, mas no panorama internacional?
AA - Gostaríamos que um projeto Andrez Andrez fosse reconhecido pela sua serenidade intencional. Não por um gesto formal repetido ou por uma estética previsível, mas por uma atmosfera. Por uma sensação de equilíbrio, de contenção e de profundidade. A nossa assinatura não está na imposição de um estilo, mas na coerência entre arquitetura, interior e emoção. […] Internacionalmente, gostaríamos que um projeto Andrez Andrez fosse reconhecido como um espaço com identidade, mas sem fronteiras. 

Onde encontram o vosso equilíbrio, entre a coordenação da vida pessoal com a profissional?
SA - O trabalho faz parte de quem sou — criar é algo profundamente pessoal. Mas aprendi que, para manter clareza e sensibilidade criativa, preciso de espaços de pausa. Encontro esse equilíbrio na família, nas viagens, no contacto com a natureza e nos momentos de silêncio que me permitem observar e absorver. Curiosamente, muitas das melhores ideias surgem fora do escritório. Quando desacelero, ganho perspetiva. Quando me desligo, volto com mais foco. Acredito que um bom equilíbrio não significa separar rigidamente vida pessoal e profissional, mas permitir que ambas se nutram mutuamente — com consciência e prioridades bem definidas.

JA - Para mim, o equilíbrio é sobretudo uma questão de gestão consciente — de tempo, energia e prioridades. Liderar um atelier exige foco, disciplina e visão a longo prazo. Isso implica saber quando estar totalmente presente na estratégia, nas decisões e na equipa, mas também reconhecer que a clareza mental é um ativo essencial. Organização, delegação e confiança na equipa são fundamentais. Um líder não precisa estar em tudo; precisa garantir direção, coerência e cultura. Essa estrutura permite-me criar espaço para a vida pessoal sem comprometer a excelência profissional. 

«Na Andrez Andrez não desenhamos tendências, desenhamos permanência.»

O que é para vocês um verdadeiro luxo?
O verdadeiro luxo é sentir-se plenamente em casa. É a combinação subtil de conforto, autenticidade e atenção ao detalhe — um espaço intemporal que nos acolhe, nos eleva e nos faz viver melhor todos os dias.

 

Texto: Carla Martins 
Fotos: Direitos reservados

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