Escola Portuguesa de Arte Equestre - Dança milenar da alma lusitana

Escola Portuguesa de Arte Equestre - Dança milenar da alma lusitana

Nos jardins do Palácio Nacional de Queluz e no histórico Picadeiro Henrique Calado, em Belém, o tempo parece abrandar. O som ritmado dos cascos, o brilho dos arreios e a elegância dos trajes transportam-nos para o esplendor da corte portuguesa do século XVIII. Aqui vive a Escola Portuguesa de Arte Equestre, guardiã da tradição e da beleza que unem o homem e o cavalo numa dança milenar — a mais nobre expressão da alma lusitana.


Herdeira direta da antiga Real Picaria fundada por D. João V, a Escola preserva o rigor, a estética e a harmonia da equitação barroca, recuperando os lendários Ares Altos e outras figuras clássicas que elevam a equitação a arte. O gesto do cavaleiro é medido, o olhar do cavalo é atento — e, por instantes, o picadeiro transforma-se num palco onde o passado ganha vida.

O som ritmado dos cascos, o brilho dos arreios e a elegância dos trajes transportam-nos para o esplendor da corte portuguesa do século XVIII.


Sob a gestão da Parques de Sintra, a Escola conheceu uma nova era. O espaço foi requalificado, as cavalariças aprimoradas e o Picadeiro Henrique Calado voltou a receber o público, permitindo que esta arte regressasse à sua origem: Belém. Hoje, as apresentações da Escola Portuguesa de Arte Equestre são mais do que espetáculos — são celebrações de elegância, disciplina e emoção, onde cada passo revela séculos de herança cultural.


Os protagonistas são, naturalmente, os cavalos Lusitanos da linhagem Alter Real, criados na histórica Coudelaria de Alter, fundada também por D. João V. É ali, no Alentejo, que estes animais nascem, crescem e são cuidadosamente preparados. Cada um é o resultado de gerações de seleção, paciência e amor — cavalos de uma inteligência rara, capazes de compreender o toque, o silêncio e o pensamento do cavaleiro.
Quando chegam à Escola, já adultos, são entregues ao seu picador, que os guia num processo de aprendizagem pautado pela harmonia e pelo respeito. Na «baixa escola» treinam a precisão dos movimentos; mais tarde, na «alta escola», elevam-se à perfeição — executando movimentos aéreos que desafiam a gravidade e encantam quem assiste. O objetivo nunca é dominar o cavalo, mas dialogar com ele, numa comunhão que revela a essência da equitação portuguesa.

Hoje, as apresentações da Escola Portuguesa de Arte Equestre são mais do que espetáculos — são celebrações de elegância, disciplina e emoção […]

Para aprofundar e preservar este saber, a Biblioteca de Arte Equestre D. Diogo de Bragança, instalada em Queluz, guarda um espólio de rara beleza: cerca de 1500 obras dedicadas à arte equestre, incluindo manuscritos e edições preciosas que atravessam séculos de história. É um tributo ao Marquês de Marialva e a todos os que dedicaram a vida a compreender esta linguagem silenciosa entre homem e animal.


Recentemente, a UNESCO reconheceu a Arte Equestre Portuguesa como Património Cultural Imaterial da Humanidade, um marco histórico que consagra o valor universal desta tradição. De facto, assistir a um espetáculo da Escola é presenciar um diálogo ancestral. Entre o brilho do lusitano e o porte do cavaleiro, há algo de profundamente português — uma fusão de força e serenidade, de orgulho e subtileza. A cada passo, a cada reverência, revive-se a história de um país que soube transformar o movimento em arte e a tradição em emoção.
Porque, na Escola Portuguesa de Arte Equestre, o cavalo não é apenas montado — é compreendido. E nessa compreensão nasce a mais pura forma de beleza.

[…] Entre o brilho do lusitano e o porte do cavaleiro, há algo de profundamente português […]

 

Texto: Carla Martins
Fotos: Pedro Yglesias/Rita Fernandes

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