Feiras Novas de Ponte de Lima - Dois séculos da maior celebração da cultura popular portuguesa

Feiras Novas de Ponte de Lima - Dois séculos da maior celebração da cultura popular portuguesa

Há festas que se visitam e há festas que se vivem. As Feiras Novas de Ponte de Lima pertencem, sem dúvida, ao segundo grupo. Consideradas o "maior congresso ao vivo da cultura popular em Portugal", transformam anualmente a vila mais antiga do país num extraordinário palco de tradições, devoção, música, etnografia e convívio, reunindo milhares de participantes e visitantes no segundo fim de semana de setembro.

Em 2026, a romaria assinala uma data particularmente simbólica: celebra 200 anos de história.

Em 2026, a romaria assinala uma data particularmente simbólica: celebra 200 anos de história. Dois séculos de uma festa construída pelo povo, preservada pelas gerações e continuamente renovada, mantendo intacta a sua autenticidade e a capacidade de emocionar quem a vive.
A história das Feiras Novas remonta a 5 de maio de 1826, quando os habitantes de Ponte de Lima solicitaram autorização régia para a realização de três dias consecutivos de feira franca, com o propósito de engrandecer o culto a Nossa Senhora das Dores. A imagem da padroeira, venerada na Igreja Matriz, continua a sair todos os anos em majestosa procissão pelas ruas da vila, num dos momentos de maior devoção da romaria. Com o passar do tempo, a designação oficial foi sendo substituída pela expressão popular "Feiras Novas", nome que atravessou gerações e se tornou sinónimo da grande romaria limiana.

 


Durante quatro dias, Ponte de Lima transforma-se por completo. As ruas enchem-se de cor, música, bombos, gigantones, cabeçudos, ranchos folclóricos, rusgas populares, feirantes, criadores de gado e milhares de pessoas, num ambiente marcado pela alegria, pela hospitalidade e por um forte sentimento de pertença. Os limianos assumem o papel de protagonistas e guardiões de um património cultural vivo.
O programa das Feiras Novas constitui um retrato das tradições do Alto Minho. O Cortejo Etnográfico recria modos de vida, ofícios e costumes rurais, envolvendo centenas de participantes num desfile de enorme riqueza histórica e cultural. O Cortejo Histórico, dedicado este ano ao tema "Romaria de noite e de dia – 200 anos de Feiras Novas", transporta o público por diferentes momentos da história de Ponte de Lima, evocando personagens e episódios marcantes da identidade do concelho.

 


Outro dos momentos mais aguardados é o Encontro de Rusgas, onde os cantares ao desafio, as concertinas e a espontaneidade popular tomam conta das ruas pela noite dentro. A estas juntam-se o Festival de Folclore, a emblemática Feira do Gado — uma das expressões mais autênticas das antigas feiras francas que deram origem à romaria — e o Encontro de Gigantones, Cabeçudos e Grupos de Bombos, que acrescenta ainda mais cor, ritmo e animação ao recinto festivo. As noites culminam com espetáculos de fogo de artifício que atraem milhares de espectadores.
As Feiras Novas são, acima de tudo, uma experiência coletiva. Aqui cruzam-se gerações, reencontram-se famílias e amigos, preservam-se tradições e criam-se novas memórias. É uma festa onde a cultura popular continua a ser vivida de forma espontânea e participativa, tornando cada visitante parte integrante da romaria.

 


A celebração do bicentenário constitui também uma oportunidade para valorizar o património material e imaterial associado às Feiras Novas. Entre as iniciativas comemorativas destaca-se a renovação da imagem da marca, concebida pela designer Madalena Martins, que evolui para uma linguagem gráfica mais contemporânea, preservando a identidade da figura criada há 27 anos.
As comemorações incluem igualmente a reedição da obra Feiras Novas, de Amândio de Sousa Vieira. Publicado pela primeira vez há duas décadas, o livro surge agora numa edição comemorativa em dois volumes, sendo o segundo dedicado às transformações e vivências da festa nos últimos vinte anos. Mais do que um registo documental, constitui um testemunho da memória coletiva da romaria.

Durante quatro dias, Ponte de Lima transforma-se por completo. 

Também a Biblioteca Municipal de Ponte de Lima assinala o bicentenário com a exposição "Feiras Novas em Cartazes", dedicada à evolução gráfica da romaria, enquanto o CIT – Centro de Interpretação do Território apresenta a mostra fotográfica "As Minhas Feiras Novas", que revisita a festa através das memórias de quem a viveu e continua a viver.
Ao celebrar 200 anos, as Feiras Novas reafirmam-se como muito mais do que uma festa. São um património identitário de Ponte de Lima e de Portugal, um dos maiores símbolos da cultura popular, da devoção e da tradição minhota, onde passado, presente e futuro continuam a encontrar-se todos os anos.

O programa das Feiras Novas constitui um retrato das tradições do Alto Minho. 


Texto: Redação
Fotos: Município de Ponte de Lima

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