Margarida Botelho, CEO da Bloom Flores&Eventos - «Elegância é sermos nós próprios, […] sentirmos o que faz sentido para nós.»
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Com um olhar treinado pela arte, Margarida Botelho é o rosto por detrás da Bloom, uma das maiores referências nacionais no mundo das flores e da decoração. Com uma carreira alicerçada no Marketing e na Comunicação, Margarida organiza hoje alguns dos mais belos eventos dentro e fora do país, garantindo a elegância, a sofisticação e a beleza que só a leveza das flores consegue transmitir. Nesta entrevista à Villas&Golfe, fala-nos de identidade, inspiração e elegância.

A arte, nas suas diferentes vertentes, acompanhou-a desde cedo. Fale-nos um pouco sobre o seu percurso pessoal até ao nascimento da Bloom.
Nasci em Braga e estudei desde os dois anos na Escola de Música Calouste Gulbenkian. Durante doze anos estive ligada à música e à arte, e acredito que isso despertou em mim esta sensibilidade que hoje aplico no meu trabalho com flores e eventos. Tirei o curso de Gestão de Empresas e iniciei a minha atividade profissional na área da contabilidade. No entanto, essa experiência durou apenas um ano. Não era aquilo que eu queria. Percebi rapidamente que precisava de algo que me permitisse reinventar-me todas as semanas. Decidi então especializar-me em Marketing. Fui Diretora de Comunicação e Marketing numa empresa e trabalhei muito com a organização de eventos. Foi nesse momento que percebi que era ali que me sentia verdadeiramente realizada. Era esse o meio onde queria estar.
«Durante doze anos estive ligada à música e à arte, e acredito que isso despertou em mim esta sensibilidade que hoje aplico no meu trabalho com flores e eventos.»
E como nasce o projeto Bloom e a sua ligação ao universo floral?
Numa viagem a Nova Iorque, há mais de vinte anos, vi uma loja fora do comum e entrei. Uma loja que me inspirou, pois assumia um conceito inovador e invulgar. Quando regressei, tomei uma decisão que mudou o meu percurso. Saí da empresa onde trabalhava e criei a primeira loja da Bloom. Na altura, convidei um arquiteto para desenvolver o projeto e juntos criámos uma loja numa perspetiva totalmente diferenciadora daquilo que o mercado em Portugal oferecia. Havia um compromisso entre uma loja de flores e uma loja de decoração, que integrava ainda outra vertente, a dos eventos. No início, foi um trabalho árduo, pois as pessoas não estavam habituadas a uma loja de flores com uma abordagem disruptiva.

Ao longo dos anos, a Bloom construiu uma identidade própria. O que considera que realmente a distingue?
Desde o início criei um estacionário para a Bloom, algo que hoje pode parecer simples, mas que na altura era verdadeiramente inovador. Não havia nenhuma empresa de flores com essa preocupação de identidade. Tudo foi pensado ao detalhe. Construímos uma marca com identidade própria. Hoje, passados vinte anos, penso que o que distingue a Bloom é que, quando o cliente entra na nossa loja, vai à procura de uma experiência. As nossas lojas não têm ramos já feitos, uma vez que cada cliente é único. O ramo é elaborado para aquela pessoa que entra na loja, conta a história dela e transmite à equipa o que deseja. Nós vendemos uma experiência, não um produto. Temos sempre flores diferentes. Todos os anos há cores e espécies novas, e esse é também o meu trabalho. Inovar. Felizmente, consegui que as pessoas identificassem a marca Bloom quando olham para um trabalho nosso. Sabem quando se trata da Bloom.
Que projetos a marcaram de forma mais especial e estimulante?
Eu adoro desafios. Estou sempre a pensar em projetos futuros. É a minha forma de estar. Tenho a honra de dizer que a Bloom trabalha com marcas de referência, a nível nacional e internacional, em diversos setores de atividade. Marcas como a Cartier, Hermès, Prada, Veuve Clicquot, Four Seasons e Six Senses, entre outras. Todos os projetos foram muito estimulantes. Conheci pessoas e espaços únicos, e ganhei amizades para a vida.
«Tenho a honra de dizer que a Bloom trabalha com marcas de referência, a nível nacional e internacional, em diversos setores de atividade. »
As flores também transmitem mensagens. Que espécies associa à elegância, à sofisticação e ao luxo?
Quando entro num espaço com flores naturais, esse cuidado transmite acolhimento e sensibilidade. Há uma atenção ao detalhe e uma clara intenção de criar bem-estar. Quando penso em sofisticação, elegância e luxo, lembro-me das peónias. São flores que ocupam o espaço com delicadeza. E isso, para mim, é luxo.
As flores são frequentemente associadas à leveza e à feminilidade. Onde encontra a sua principal fonte de inspiração - na arte, na natureza ou nas mulheres que a rodeiam?
Na natureza, sem dúvida. Quando preciso de me recolher para criar, para pensar, é no meio da natureza que consigo pensar melhor. Inspira-me muito. Claro que as mulheres da minha vida, a minha mãe, a minha irmã e a minha filha, também me inspiram todos os dias.

Que cuidados tem consigo própria e com o seu equilíbrio? O que é que a encanta para além das flores?
Pratico yoga há quinze anos e a meditação faz parte do meu dia a dia. Mais do que uma prática física, é um processo e uma verdadeira escola para a vida. Ensinou-me presença, escuta e respeito pelo ritmo natural das coisas. Encanta-me viajar. Gosto de conhecer países novos todos os anos, novos povos, diferentes maneiras de pensar e vivências distintas da nossa.
«Quando penso em sofisticação, elegância e luxo, lembro-me das peónias. São flores que ocupam o espaço com delicadeza. E isso, para mim, é luxo.»
Depois de Braga, Porto, e até Paris, a Bloom ultrapassa fronteiras. Que horizontes e desafios se desenham no futuro?
Temos três lojas físicas, para além da presença digital através da Bloom online. No entanto, trabalhamos regularmente em todo o país, bem como no mercado internacional. Havia algo que desejava concretizar há muitos anos e que realizei este mês: criar, dentro das nossas lojas, um espaço dedicado a objetos únicos, como jarras, livros e velas. São peças de marcas nacionais e internacionais cuidadosamente selecionadas e que se afirmam como um complemento das flores.
Numa perspetiva pessoal e íntima, o que é para si elegância?
Elegância é sermos nós próprios. É sentirmos o que faz sentido para nós. A elegância nasce da autenticidade, da coerência entre o que somos por dentro e o que mostramos ao mundo.
Texto: Carla Martins
Fotos: Ana Nogueira