António Paraíso, Consultor de Marketing de Luxo - O Museu do Amanhã: Uma viagem que não deixa ninguém indiferente
Share
O Rio de Janeiro é lindo e respira uma elegância descontraída que o torna único. Na Cidade Maravilhosa, o Museu do Amanhã merece uma visita atenta. O edifício moderno e arrojado tem o traço inconfundível de Santiago Calatrava, mestre da ‘arquitetura-espetáculo’, que assinou também a Cidade das Artes e das Ciências, em Valência e a Gare do Oriente, em Lisboa.
Este museu é uma experiência focada no futuro, procurando chamar a nossa atenção para o impacto que o ser humano tem no mundo em que vive, mostrando as coisas boas e más que, previsivelmente, virão e obrigando-nos a pensar na mudança de comportamentos para construir o amanhã.
A visita faz-se percorrendo cinco áreas: Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhãs e Nós. Na sala Cosmos, tudo começa com uma experiência audiovisual intrigante, deitados no chão, onde um vídeo em 360º nos conta a teoria cosmológica da formação do universo, o Big Bang.
No pavilhão Terra vamos descobrir quem somos e como é a vida no planeta. Os ventos, a atmosfera, os oceanos, mas também os seres vivos, o ADN, e aquilo que nos faz humanos, o pensamento, as emoções. Tudo mostrado de forma cativante, interativa, que nos faz pensar.
Antropoceno, um termo inventado por Crutzen, Prémio Nobel da Química 1995, remete para Homem e Geologia, e este pavilhão confronta-nos com factos, estatísticas, imagens reais da ação do ser humano na Terra e do seu impacto no planeta. Recordo-me que fiquei esmagado por algumas imagens e dados, que desconhecia.
A secção Amanhãs tem jogos, écrans interativos e vídeos que procuram explicar como será o futuro. Mostra as diferentes civilizações e ajuda a perceber como deveremos gerir recursos para garantir o futuro da humanidade. Tem um foco grande em sustentabilidade e interatividade lúdica.
Este museu de ciência tem também momentos emocionantes como aquele em que dois véus de tecido fino e leve, numa sala escura, dançam com um feixe de luz branca e fluxos de ar comprimido, ao som de piano, talvez inspirado na mítica cena do saco plástico, no filme Beleza Americana, de Sam Mendes (1999), que arrebatou 8 Óscares de Hollywood.
Por fim, a ala Nós tem diversas referências a povos indígenas, e está decorada para convidar à introspeção. Sugere-se que o Amanhã começa hoje com as escolhas que fazemos e o objetivo é que comecemos ali a tomar decisões.
No Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã é de visita obrigatória. E a reflexão que ele provoca, também o é.
António Paraíso
Consultor de Marketing